mas nós dançamos no silêncio

choramos no carnaval

não vemos graça nas gracinhas da tv

morremos de rir no horário eleitoral

sábado, 30 de abril de 2011

Outonos atrás.

Eu ainda sinto um pouquinho do perfume seu quando passo por aquelas ruas.

Lembro-me que você sacudia as árvores molhadas pela chuva e achava graça da minha cara furiosa e respingada. Sorríamos juntos e eu te abraçava, e nem mesmo o frio de fim de outono nos impedia de caminhar alguns quarteirões até o cinema.

Eu sorrio quietinha quando sinto o cheiro de pipoca de manteiga, quando lembro das nossas tardes de domingo, dos planos malucos que fazíamos e de todas as vezes que você derramava chocolate quente na camiseta.

Hoje eu só queria aquele abraço apertado, aquele beijo quente, nossas bochechas geladas, as covinhas do teu sorriso e o frio de alguns anos atrás.

Eu sempre te amei, mesmo durante o verão. Amei-te mesmo na distância e no silêncio daquelas tardes vazias. Perdoa-me por não te prender, não te fixar... Mas saiba que em todos os outonos, em todos os passos do meu caminho, em todas as trocas de folhas daqueles plátanos da pracinha, eu me lembro de você...

"Como as folhas secas pelo chão nas frias tardes de outono, veio o vento e te levou..."

2 comentários:

  1. Muito lindo, Morgana. Sentir toda a profunidade desse seu texto, encantador. *-*

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