mas nós dançamos no silêncio

choramos no carnaval

não vemos graça nas gracinhas da tv

morremos de rir no horário eleitoral

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Pobres esquecidos na insanidade social.
Empoeirados, mofados, rabiscados.
Poetas mortos, estão mortos;
As estantes cheias e as cabeças vazias.

Como é que eu troco de canal?

sábado, 29 de janeiro de 2011

Sem beijo de despedida

O som do garfo raspando no prato era o único que eu ouvia naquele meio dia nublado. Meu pensamento pairava longe, parecia que eu estava lá em cima, em meio às nuvens, buscando uma explicação mas vendo tudo cinza, cinza e vago. Vago e leve, de uma leveza tão pesada que em segundos voltava para a terra, para o branco da porcelana da cozinha, sentindo o gosto amargo de uma refeição vazia.
Eu sabia que eu não era aquele corpo que eu alimentava, nem a roupa amarrotada que eu vestia. Mas eu não podia fugir da condição de ser humana, bem como não podia fugir da saudade que colocava em meus olhos o peso das lágrimas que eu não derramava porque eu queria ser forte, porque eu só queria uma explicação ou uma certeza. Porque eu tinha que ser forte, e tantos outros porques que a gente só tem quando alguem que amamos vai embora, cedo demais... Então nos vemos pequenos e inseguros diante da grandeza da vida e da morte. E aquele sorriso que encontrava todas as manhãs agora era só lembrança... Lembrança do abraço que eu não dei, das flores que eu joguei fora e dos almoços na cantina da esquina.
(Nessas horas que todos pedem que tenha força, mas que se dane a força...)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Saudade do que não foi.

Ela fala por todas as coisas que buscava e encontrava em uma só pessoa. Os dias amanheciam coloridos, com cara de férias de escola, porque ela sabia que logo ele estaria lá, explosivo, emotivo, apaixonado por tudo, brilhando à luz do sol. E todo mundo olhava, e ela sorria, e sabia o quanto ele a entorpecia com o veneno mais doce, dando-lhe a agradável sensação de estar viva. Ele a carregava pela casa e brigavam de mentirinha. Ela sempre sabia o que dizer e ele ficava surpreso, e os dois acalmavam-se no mais tenro laçar de braços. E o tempo passava doce e calmo por entre dois sorrisos. Ele não exigia o amor dela e ela não exigia o amor dele, mas o amor, porém, os abraçava todos os dias sem que precisassem pedir. Linda Gabriela. Não sabe que esse poema é para ela, sem que exista, embora real na doçura do encontro de dois corpos. Ela tem costume de ter saudade do que nunca aconteceu. E ele pensa nela todos os dias. E isso tudo foi amor.

sábado, 13 de novembro de 2010

Flores amarelas.

Acho que eu era uma criança estranha. Lembro-me de um dia q saí de bicicleta. Aquela bicicletinha cor-de-rosa com um cestinho branco na frente. Fui até um terreno onde tinha flores amarelas e colhi umas quantas e coloquei-as no cestinho da bicicleta. Então, eu parei em uma calçada perto de casa, e entregava uma flor para todo mundo que passava, mesmo não conhecendo ninguém. Eu lembro que algumas mulheres sorriam. Talvez fosse isso que eu queria, ver um sorriso no rosto das pessoas. E eu apenas sorria de volta. Mesmo que elas achassem estranha essa atitude, ainda mais vinda de uma menininha de seis anos. Mas eu fico pensando no porque de tantos anos depois a lembrança desse dia continuar tão viva em minha memória. Talvez está querendo dizer que essa menininha estranha ainda sou eu, apenas crescida. Mas ainda cheia de sonhos, com vontade de mudar o mundo. Eu sei que aquelas flores que distribuí não mudaram o mundo, mas eu lembro o quanto me senti importante por isso.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tem lugar pra mim?

Tudo aquilo que eu quero falar pra você. Tudo o que faz parte do que te torna grande. Toda a tua calma e todo brilho dos teus olhos. Todo pensamento meu que te alcança. Todos os sorrisos que tu colocas em teu rosto. Toda a paz que me dá. Toda a graça quando tudo está sem graça. Toda vez que trocas a musica. Todas as músicas que me lembram você. Toda chuva calma. Toda calmaria. Todas as letras do teu nome em minha testa. Toda vergonha em cada silêncio. Todo meio-abraço. Todas as vontades. Todos os segredos. Toda a beleza, todo sentimento em cada respiração. Tudo aquilo que eu quero falar pra você. Tudo aquilo que ainda não falei. Subentendido.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

paraíso virtual.


Vulcões em erupção matando centenas. Ondas gigantes e terremotos matando milhares. Furacões levando casas e vidas. Fogo queimando as matas e as plantações. Rios secando, animais e pessoas morrendo... Inundações. Milhões de pessoas desabrigadas... Geleiras derretendo acabando com a vida animal nas regiões polares. É... a natureza está dando os primeiros sinais e os últimos suspiros. É o começo do fim. E os bundões continuam achando que é tudo infinito. Todo mundo se embriagando no etanol. Petróleo, sal, água, madeira, pele, gente. E matam a alma! A nossa alma e alma do planeta!
Todos!! Um bando de robôzinhos manipulados por essa sociedade capitalista. Gente que não têm mais vida e ainda contribuem para acabar com a vida do mundo. Materialismo, consumismo, babaquice, falta de amor... E ainda nos obrigam a escolher um presidente da República. Que república?? Só se for dos idiotas!!!

"um calor infernal congela o teu sorriso."

sábado, 30 de outubro de 2010

sexta...

Chovia e estava frio. Eu estava razoavelmente feliz. Faltava alguma coisa, faltava alguém. Talvez foi a primeira vez que senti um vazio tão grande. Eu que sempre gostei da solidão, agora estava entediando-me com ela. Já não conseguia fazer companhia à mim mesma como antes fazia. Senti todo o peso de uma noite de sexta-feira vazia.
Nada me prendia a atenção. Nem televisão, computador, nem mesmo os livros que sempre foram a minha fuga conseguiram me conquistar nesta noite. Ficaram jogados no criado-mudo. Mudos.
Eu escutava o barulho lá fora, e todo aquele que ia além da chuva. Tudo isso em sintonia não parecia o suficiente para preencher a minha alma e estampar um sorriso em meu rosto.
Então bateu aquela velha saudade. Uma vontade louca de pegar o telefone e ouvir um alô de alguém que tem a alma colorida. Mas a razão mandou o coração calar-se. E ele obedeceu, mas ficou chorando...
Porém eu senti... senti que o frio não ocupava só o meu quarto, e que ao som da mesma chuva tinha alguém querendo o mesmo que eu... mas muito nos dividia.

"o fascínio é fascinante, deixa gente ignorante fascinada"